A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que, até 2028, a cidade contará com 20 mil câmeras de vigilância equipadas com inteligência artificial, ampliando o monitoramento urbano como parte da expansão do projeto Civitas – Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública.
O anúncio foi feito pelo prefeito Eduardo Paes e o vice-prefeito Eduardo Cavaliere no Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio). A instalação dos novos equipamentos seguirá critérios técnicos definidos em conjunto com as forças de segurança, priorizando regiões com maior incidência criminal, vulnerabilidades tecnológicas e necessidade de reforço policial.
Atualmente, a cidade já possui cerca de 5.500 câmeras em operação. A meta é chegar a 8.900 até o fim deste ano, com um novo salto para 9.300 até o carnaval de 2026. Ao redor do município também serão implantados os chamados “portais de fronteira digital”, que utilizam tecnologia para identificar placas clonadas, movimentações suspeitas de veículos e fluxos anormais de pessoas em tempo real.
A inteligência artificial que alimenta esse sistema foi desenvolvida pela própria prefeitura e recebeu o nome de Íris. Com ela, será possível cruzar dados em até dez segundos, identificar rostos, reconhecer comportamentos suspeitos, mapear aglomerações e auxiliar investigações complexas. Além disso, Íris será capaz de prever situações de risco com base em padrões detectados anteriormente.
A base de dados usada pelo sistema reúne informações de diversas fontes, como o Disque Denúncia, Central 1746, Instituto Fogo Cruzado, além de um datalake com informações de 20 secretarias municipais, imagens de câmeras e redes inteligentes.
Segundo o chefe do Civitas, Davi Carreiro, a tecnologia permite identificar pessoas e veículos mesmo sem todos os dados, acompanhar deslocamentos, cruzar informações e antecipar possíveis ocorrências. A IA consegue, por exemplo, localizar um carro por cor e modelo ou encontrar uma pessoa com determinadas características, como o uso de uma blusa branca.
Desde seu lançamento em junho de 2024, o Civitas já demonstrou impacto: foram gerados 160 mil alertas em tempo real, realizadas 6,1 milhões de leituras de placas por dia e mais de 2 mil inquéritos e investigações tiveram apoio do sistema.
Além disso, a parceria com o Disque Denúncia, ampliada desde o início do projeto, resultou em um crescimento de 40% nas denúncias anônimas no estado, 58,5% a mais em casos de violência contra a mulher e um aumento de 37,99% nas denúncias apenas na capital. Com o atendimento agora funcionando 24 horas, a estimativa é que mais de 20 mil denúncias tenham sido preservadas graças ao novo sistema.
Fonte: O Globo | Reprodução











