Reconhecimento facial se espalha pelo Brasil e levanta debate sobre segurança, privacidade e viés racial

Tecnologia já ajudou a prender mais de 2.700 pessoas em São Paulo, mas especialistas alertam para riscos de erro e discriminação

O uso de câmeras com reconhecimento facial está se tornando cada vez mais presente no cotidiano dos brasileiros. A tecnologia, que conta muitas vezes com inteligência artificial, movimentou R$ 14 bilhões em 2024 – e já é usada em estádios, condomínios e nas ruas de grandes cidades. A expectativa é de que o mercado cresça mais de 22% em 2025.

O Profissão repórter do dia 22/07 investigou como essas câmeras estão sendo usadas na segurança pública e os impactos no dia a dia da população. 

A reportagem visitou um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para entender como a tecnologia funciona. Na prática, esse sistema compara imagens captadas pelas câmeras com fotos armazenadas em um banco de dados, analisando características como textura da pele, olhos e boca. Mas o reconhecimento nem sempre é preciso.

“Muitos desses algoritmos foram treinados apenas com imagens de pessoas brancas, dificultando o reconhecimento de pessoas negras, indígenas ou asiáticas”, alerta um professor da universidade. Esse viés pode levar a erros graves, como prisões injustas.

Além disso, manter o banco de dados atualizado com imagens recentes é essencial para garantir a precisão. A Unicamp também estuda formas de burlar o sistema, como o uso de disfarces ou alterações faciais. “É uma guerra de gato e rato. Antes falsificavam cheques, agora tentam enganar a biometria”, diz o pesquisador.

Smart Sampa: mais de 30 mil câmeras conectadas

Na capital paulista, o programa Smart Sampa já conta com cerca de 31 mil câmeras — 20 mil públicas e 11 mil privadas — integradas ao sistema da prefeitura. Desde novembro do ano passado, quase 1,5 mil foragidos foram capturados com ajuda da tecnologia.

O secretário municipal de Segurança Urbana, Orlando Morando, explica que o sistema cruza imagens em tempo real com um banco de dados da Secretaria de Segurança do Estado. “Mesmo com barba, óculos e boné, a inteligência artificial identificou o chefe de uma quadrilha de furtos em condomínios de luxo”, conta.

Para o alerta ser disparado, a similaridade entre as imagens precisa ser de pelo menos 92%. O sistema também já ajudou a localizar 71 pessoas desaparecidas e prendeu mais de 2,7 mil em flagrante.

Fonte: G1 | Reprodução

https://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2025/07/23/reconhecimento-facial-se-espalha-pelo-brasil-e-levanta-debate-sobre-seguranca-privacidade-e-vies-racial.ghtml

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