Soluções com inteligência artificial ganham espaço e transformam a rotina dos moradores, mas exigem atenção com o uso de dados sensíveis
Os condomínios estão passando por uma verdadeira revolução tecnológica. Portarias inteligentes, câmeras com inteligência artificial e sistemas de monitoramento integrados já fazem parte da paisagem urbana, especialmente nos grandes centros. A tendência é de crescimento contínuo, impulsionada pela busca por mais segurança e praticidade.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), quase dois terços dos produtos de segurança eletrônica utilizam inteligência artificial (IA) em alguma etapa do funcionamento. Essa modernização, no entanto, exige cuidado redobrado com a gestão de dados sensíveis, como informações biométricas e imagens de câmeras.
A presidente da Abese, Selma Migliori, reforça que todas as tecnologias devem seguir os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para evitar vazamentos e garantir transparência no uso das informações.
Mesmo com o novo Estatuto da Segurança Privada (Lei 14.967/2024), que atualizou as regras do setor, ainda não há uma regulação específica para o monitoramento eletrônico — o que torna o papel dos síndicos e gestores ainda mais importante na escolha de prestadores de serviço confiáveis.
Confira abaixo algumas das principais tecnologias que estão modernizando os condomínios:
1. Biometria facial
Cada vez mais comum, o reconhecimento facial permite identificar moradores e visitantes em segundos, com base em dados previamente cadastrados. O sistema aumenta a eficiência no controle de acesso, mas exige garantias de privacidade e alternativas para quem não deseja fornecer dados biométricos.
2. Inteligência artificial
A IA é usada para agilizar o atendimento a visitantes, filtrar informações e identificar situações suspeitas nas câmeras em tempo real. Com ela, é possível localizar imagens específicas e automatizar alertas de segurança, otimizando o trabalho das equipes de portaria e vigilância.
3. Plataformas de integração
Com tantos sistemas conectados, as plataformas integradas centralizam o controle de portões, alarmes, câmeras e sensores. Elas ajudam na tomada de decisões rápidas, como liberar acessos, identificar falhas e emitir alertas automáticos em caso de emergência.
4. Portaria remota
Tendência crescente, a portaria remota reduz custos e permite monitoramento à distância, com operadores prontos para agir em caso de alerta. A tecnologia ainda enfrenta resistência em condomínios maiores, mas deve se consolidar nos próximos anos.
5. Smart gates e tags de liberação
Os portões inteligentes e etiquetas veiculares agilizam a entrada e saída de moradores, reduzindo o tempo de espera e a exposição a riscos. Utilizam tecnologias como RFID ou leitura de placas, e podem ser combinados a aplicativos ou QR Codes para maior segurança.
6. Totens com câmeras
Espalhados pelas cidades, os totens conectados ajudam na vigilância e na cooperação entre condomínios e forças de segurança. Em São Paulo, por exemplo, sistemas privados e públicos — como o programa Smart Sampa — somam milhares de câmeras que já auxiliaram em prisões e investigações.
Essas inovações tornam a rotina mais segura e eficiente, mas reforçam a necessidade de gestão responsável e cumprimento da LGPD, garantindo que a tecnologia sirva à proteção, e não ao risco dos moradores.
Fonte: Estadão | Reprodução











