Por Leandro Eustáquio – Gerente de Soluções e Produtos – CFTV IP
Hoje, proteger pessoas, bens e informações vai muito além da simples observação, é uma questão de inteligência, velocidade e precisão. Imagine um sistema capaz de enxergar além do óbvio, que interpreta comportamentos, identifica riscos antes que eles aconteçam e oferece suporte imediato para decisões críticas. Essa é a transformação que a inteligência artificial está trazendo para a segurança eletrônica.
Dispositivos que antes eram apenas câmeras e sensores tornaram-se verdadeiros centros de dados inteligentes, capazes de gerar insights em tempo real e ampliar a eficiência de operações em diversos setores. É essa convergência entre tecnologia e análise avançada que está redefinindo o conceito de segurança, tornando-a mais proativa e estratégica.
A inteligência artificial tem avançado rapidamente sobre setores antes considerados puramente operacionais, e a segurança eletrônica é um dos campos em que esse avanço se torna mais tangível. Câmeras e gravadores CFTV, quando equipados com algoritmos de IA embarcada, passam a operar como sensores inteligentes, capazes de reconhecer padrões de comportamento, identificar anomalias, prever eventos e até automatizar respostas, como o acionamento de protocolos de emergência ou a liberação de acessos.
Entre os principais movimentos recentes do setor está o uso crescente da IA sob demanda, uma abordagem baseada em algoritmos treinados para resolver problemas específicos de cada contexto. Em vez de soluções genéricas, dispositivos passam a contar com modelos que aprendem a partir do ambiente onde operam: seja identificando o fluxo de pessoas em um evento, detectando comportamentos atípicos em uma área restrita ou realizando contagem de objetos em processos industriais.
Essa flexibilidade na aplicação da inteligência é viabilizada por avanços em hardware (como chipsets otimizados para IA), integração via edge computing e softwares de gestão de dados. Ao processar as informações diretamente na ponta, os dispositivos ganham autonomia, reduzem a latência, aumentam a assertividade nas decisões em tempo real e, em muitos casos, diminuem significativamente os custos de infraestrutura em comparação com soluções baseadas na nuvem.
No contexto brasileiro, empresas que investem em desenvolvimento de IA aplicada à segurança eletrônica, como a Intelbras, têm ampliado sua capacidade de oferecer soluções técnicas alinhadas às demandas do mercado. A adoção de chipsets otimizados para inteligência artificial e o desenvolvimento de softwares capazes de integrar múltiplas fontes de dados ilustram o movimento do setor em direção a sistemas cada vez mais inteligentes e customizáveis, aptos a atender desde grandes eventos até ambientes corporativos e residenciais.
Esse movimento é acompanhado por uma mudança estrutural no mercado. Segundo o Panorama ABESE 2024/2025, cerca de 64,3% dos novos produtos lançados no setor de segurança eletrônica no Brasil já incorporam inteligência artificial, um salto em relação aos 54% registrados em 2023. Essa incorporação tecnológica impulsionou um faturamento setorial de aproximadamente R$ 4 bilhões em 2024, com crescimento anual de 20,3%, refletindo a demanda por soluções mais inteligentes, autônomas e adaptáveis.
Casos recentes em eventos de grande porte no Brasil ilustram como essas tecnologias já operam em escala real. Em festas populares e shows internacionais, sistemas com IA embarcada vêm sendo utilizados para monitoramento dinâmico de fluxo, detecção de atitudes fora do padrão e apoio a operações integradas de segurança e logística. Em ambientes corporativos e industriais, algoritmos treinados para tarefas específicas, como diferenciar materiais em esteiras, acompanhar padrões de entrada e saída, ou controlar áreas de risco, trazem ganhos operacionais e redução de falhas humanas.
Mais do que prevenir ou responder a incidentes, a aplicação de inteligência artificial nesses dispositivos representa uma mudança de paradigma: sistemas antes passivos agora atuam como plataformas ativas de geração e interpretação de dados, oferecendo suporte para decisões estratégicas, auditoria operacional, automação e melhoria contínua.
A tendência é de consolidação. O mesmo estudo da ABESE estima que o setor de segurança eletrônica no Brasil já movimenta R$ 14 bilhões por ano e emprega cerca de 5 milhões de pessoas, direta e indiretamente. A adoção de IA embarcada e a disseminação de soluções sob demanda devem acelerar a migração do setor para uma lógica orientada por dados.
O desafio, para empresas e instituições, está na integração ética, interoperável e regulada dessas soluções, especialmente no que se refere ao uso de dados sensíveis, respeitando legislações como a LGPD e os limites do consentimento e da finalidade. A inteligência artificial, aplicada com responsabilidade, pode ser um dos principais vetores de transformação digital nos próximos anos, não apenas na segurança, mas em toda a cadeia de valor onde há pessoas, objetos e decisões em movimento.
Fonte: IP News | Reprodução











