O Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região, junto ao deputado estadual Renato Freitas (PT), denunciou nesta quinta-feira (26) que o grupo Muffato teria contratado uma empresa clandestina de segurança, a RTA Rota Sistema Integrado de Segurança Ltda., com sede em São José dos Pinhais. Funcionários dessa empresa estariam envolvidos na morte de Rodrigo Boschen, de 22 anos, ocorrida após um suposto furto de chocolate em uma unidade da rede.
A Superintendência da Polícia Federal no Paraná confirmou que a empresa, também conhecida como Grupo Rota, não possui credenciamento para atuar legalmente na área de segurança privada. De acordo com a PF, a companhia teve sua autorização de vigilância encerrada e, embora ainda possa operar em outros segmentos, está impedida de fornecer serviços de segurança.
Segundo João Soares, presidente do Sindicato, a empresa operava com dois CNPJs distintos — um sem registro e outro com licença cassada após a denúncia. Ainda conforme Soares, a empresa subcontratava serviços de monitoramento e o Muffato utilizava “leões de chácara” (seguranças não habilitados) para atuar nas lojas sem a devida qualificação.
A Polícia Federal reforçou que empresas de segurança não podem terceirizar serviços e que apenas vigilantes devidamente formados, registrados e vinculados a empresas autorizadas podem atuar na área, especialmente em locais públicos.
Casos semelhantes e denúncias públicas
João Soares relembrou outros episódios de violência envolvendo empresas clandestinas, como as mortes em unidades do Carrefour (Porto Alegre, 2020) e Atakarejo (Salvador, 2021). Segundo ele, um vigilante devidamente treinado jamais cometeria um assassinato por causa de um chocolate.
O deputado Renato Freitas também denunciou a campanha “Indesejáveis do Mês” nas redes sociais do Muffato e do Max Atacadista (empresa do mesmo grupo), que expunha suspeitos de furtos. Após o caso, o conteúdo foi apagado das plataformas.
Detalhes do crime
Rodrigo Boschen foi abordado por seguranças e levado para fora do supermercado, onde teria sido imobilizado com um golpe mata-leão, segundo a investigação. Ele foi deixado desacordado próximo a um matagal, com sinais de tortura e os pés amarrados, de acordo com o advogado da família. Dois suspeitos estão presos preventivamente e um terceiro está foragido.
Resposta do Muffato
O advogado do grupo Muffato, Elias Mattar Assad, afirmou que as agressões partiram de uma pessoa sem vínculo formal com a empresa e que o grupo lamenta o ocorrido, colaborando com as investigações. A empresa sustenta que mantém protocolos de segurança baseados em contenção não violenta, restrita ao ambiente interno das lojas.
Até o fechamento da reportagem, o grupo Muffato não havia se pronunciado oficialmente.
Fonte: Plural | Reprodução
https://www.plural.jor.br/muffato-contratou-empresa-clandestina-de-seguranca-denuncia-sindicato/











