Policial militar da ativa lidera empresa de segurança privada em SP, contrariando regimento

O subtenente Claudiano de Carvalho, de 50 anos, recebeu R$ 7,6 mil líquidos em maio pela atuação na Polícia Militar do Estado de São Paulo, mas essa não é sua única fonte de renda. Ele figura como sócio em pelo menos cinco empresas, incluindo uma de segurança privada: a Domain Premium Segurança Ltda.

Embora a legislação permita que policiais militares paulistas sejam sócios de empresas, desde que não participem da administração, documentos obtidos pelo Intercept Brasil indicam que Carvalho desempenha funções diretas na gestão da Domain Premium, contrariando o regimento interno da corporação, que veda a atuação de PMs da ativa como prestadores de serviço de segurança privada.

A norma interna restringe os policiais a funções de cotistas ou acionistas — ou seja, como meros investidores. “A legislação não proíbe a sociedade, mas veda a atuação com atividade remunerada além do cargo público”, explica Yasser Gabriel, professor da FGV Direito SP.

O nome de Carvalho aparece vinculado ao chamado Grupo C. Carvalho, que abrange a Domain Premium. O site do grupo está registrado em seu nome, e o endereço da sede operacional é o mesmo de sua residência registrada na Junta Comercial nas empresas Domain Premium Segurança e Domain Premium Facilities. Já os demais sócios informaram outros endereços.

Em março de 2025, ele publicou no LinkedIn pessoal uma vaga para supervisor na área de facilities, divulgando um telefone associado ao grupo empresarial. Já em ação trabalhista movida por uma ex-funcionária, Carvalho aparece como “sócio administrador” e assina documentos em nome da empresa.

A Domain afirma, em seu site, prestar serviços a 27 condomínios e 16 empresas, como Paris 6, Chevrolet Carrera e Cruz Vermelha Brasileira. Na Junta Comercial, Carvalho divide cotas avaliadas em R$ 200 mil com o ex-soldado Daniel Mendes, que pediu baixa da PM em 2023 e figura como administrador da empresa. Ele chegou a passar em novo concurso para soldado, mas não assumiu.

Ambos se tornaram sócios em dezembro de 2024, após a saída do cabo Reginaldo Araújo, fundador da Domain em 2021 e ex-integrante da Rota. Além da Domain Segurança, os dois também entraram na Domain Premium Facilities Ltda., voltada a monitoramento eletrônico, com cotas iguais de R$ 4,25 mil. O cabo Deivid Pedrosa, ainda na ativa, também integra o quadro societário com 15% de participação.

Em 2024, Araújo concorreu a vereador pelo PL em Taboão da Serra, com apoio dos Telhada (pai e filho), mas não foi eleito. À época, omitiu da declaração de bens ao TRE sua participação em empresas. O TRE informou que só haveria apuração caso fosse feita denúncia formal. Araújo se desligou da PM em fevereiro deste ano, mas segue aparecendo como CEO da Domain no Instagram. Contatado por e-mail, não respondeu.

Procurado pelo WhatsApp, o Grupo C. Carvalho negou a presença de policiais na administração. Posteriormente, um homem que se apresentou como Daniel, sócio, confirmou por telefone que Claudiano não falaria com a reportagem e encerrou a chamada.

A PM de São Paulo informou que abriu investigação interna. Segundo a corporação, a legislação disciplinar impede militares da ativa de gerenciar ou administrar empresas de segurança privada, e eventuais irregularidades serão punidas conforme previsto em lei.

Especialistas alertam para conflito de interesses

O envolvimento de PMs em empresas privadas de segurança é recorrente, segundo o professor Cleber Lopes, da UEL. Ele aponta que muitos policiais utilizam o prestígio da farda e a rede de contatos para ingressar nesse mercado paralelo e, após consolidar os negócios, pedem exoneração. No entanto, manter sócios ainda vinculados à segurança pública é, segundo ele, um diferencial competitivo.

Além disso, a ausência de proibição expressa no Estatuto da Segurança Privada sancionado em 2024 — ainda pendente de regulamentação — e a responsabilidade das próprias corporações em fiscalizar seus quadros favorecem esse tipo de prática.

Fonte: Interpect | Reprodução
https://www.intercept.com.br/2025/07/11/pm-dribla-regimento-comanda-grupo-seguranca-privada-sp/

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