Sensação de insegurança e a descrença em uma solução

Por Marco Antônio Barbosa**

Abril, 2025 – Os últimos dados trazidos pelo Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram uma curva de queda na criminalidade no Brasil. Em 2022, foram registrados 45.747 homicídios, sendo que este número chegou a mais de 63 mil em 2017.

Entretanto, nove em cada dez brasileiros consideram a criminalidade uma grande preocupação, de acordo com um levantamento recente do Atlas/Bloomberg. Esta mesma pesquisa aponta que 73,5% dos entrevistados sentem que o problema está piorando.

Como explicar esse descolamento dos dados da sensação de insegurança manifestada por esta parcela esmagadora da população?

O primeiro ponto é o de que, mesmo em queda, o número de homicídios ainda é absurdo em nosso país e corresponde a 10% das mortes violentas em todo o mundo. Mas o grande fator da sensação de insegurança está ligado à descrença em soluções, que fomenta o sentimento de não estar seguro em nossas cidades.

A falta de políticas públicas de segurança interligadas em todo o território soma-se à situação precária que enfrentam nossas polícias e a morosidade na resolução dos crimes. Somente 35% dos casos de homicídio são solucionados, o que nos traz uma percepção muito grande de impunidade e nos leva a desacreditar na capacidade do Estado.

Por esta mesma equação é que o mercado de segurança privada cresce tanto. Se não temos ações efetivas dos governantes para mudar esse quadro, apelamos para nós mesmos para nos sentirmos um pouco mais seguros.

As notícias que temos sobre o crescimento e profissionalização das facções criminosas também nos “provam” que o caminho trilhado não está correto. E isso se transforma em um ciclo que dificulta ainda mais o complexo quebra-cabeça da segurança pública brasileira.

“Se eu confio, eu vou denunciar e eu vou ter mais informações para poder fazer uma análise criminal mais detalhada para saber onde estão acontecendo os casos. Então isso é superimportante na área de segurança pública”, explica Paula Ballestero, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP.

Essa situação só será resolvida quando houver uma atenção maior para resolver os problemas estruturais. Uma justiça mais rápida, investimento em inteligência e integração das polícias, além de políticas públicas de maior acesso à moradia, saneamento básico e educação para a população de baixa renda ter possibilidades na vida que vão além do crime.

Somente quando essas pautas forem implantadas poderemos mudar a má fama que a segurança tem no Brasil e começar a enxergar o copo meio cheio.

Enxergar essas questões a longo prazo é a única solução para nos sentirmos mais seguros em nossas próprias casas.

** Marco Antônio Barbosa é especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.

Fonte: Assessoria de Imprensa Came do Brasil

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