O Brasil tem se consolidado como um mercado promissor na área de segurança eletrônica, impulsionado pela crescente demanda por tecnologias que assegurem a proteção de patrimônios e pessoas.
O setor engloba uma ampla variedade de soluções, como videomonitoramento, sistemas de alarme, controle de acesso, detecção de incêndios e portarias remotas.
De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), a segurança eletrônica está entre os segmentos com maior crescimento no país. Em 2023, o setor movimentou mais de R$ 12 bilhões e a expectativa é de expansão contínua nos próximos anos.
Esse avanço reflete diretamente na geração de empregos. Atualmente, o setor reúne mais de 33,5 mil empresas, sendo responsável por aproximadamente 1 milhão de empregos diretos e mais de 3 milhões de postos indiretos. Nos últimos três anos, houve um crescimento expressivo na oferta de vagas.
As áreas com maior demanda por profissionais estão relacionadas à instalação e manutenção de sistemas e à cibersegurança. As maiores oportunidades estão nas regiões metropolitanas, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde a busca por soluções de segurança é mais intensa.
Segundo Rogério Custódio, diretor de Novos Negócios da Veolink, “o uso dessas tecnologias tem aumentado de forma significativa, impulsionado principalmente pela sensação de insegurança — o Brasil ocupa a 11ª posição entre os países mais inseguros do mundo. A pandemia também acelerou a adoção de ferramentas como reconhecimento facial e câmeras térmicas, cujas vendas cresceram mais de 40%”.
O crescimento do mercado está atrelado não apenas à necessidade de proteção, mas também à transformação tecnológica do setor, com a incorporação de recursos como inteligência artificial (IA), Internet das Coisas (IoT) e machine learning. Essas inovações vêm exigindo uma qualificação mais técnica e analítica dos profissionais.
Mas qual é a posição do Brasil em relação à mão de obra especializada nessa área? O país conta com um número expressivo de profissionais que atuam como instaladores, operadores de monitoramento, técnicos de manutenção e gestores de segurança.
Apesar da qualidade técnica ser reconhecida, ainda há desafios quanto à formação adequada e à adaptação a novas tecnologias.
Versatilidade e inovação no perfil profissional
Os profissionais brasileiros são frequentemente destacados pela sua flexibilidade e habilidade em enfrentar diferentes tipos de situações, o que é essencial em um setor tão dinâmico. Essa criatividade é um diferencial importante frente às ameaças em constante transformação.
Há também uma boa oferta de cursos de capacitação e certificações nas áreas de segurança patrimonial, CFTV e monitoramento de alarmes. A transição para sistemas como as portarias remotas tem estimulado a requalificação da mão de obra.
Segundo a Abese, cerca de 34,5% das empresas que atuam com portaria remota reaproveitam porteiros para funções como operadores remotos e assistentes de manutenção, mostrando um esforço do setor em acompanhar a evolução do mercado.
Principais obstáculos
Apesar do número de profissionais atuantes, o mercado ainda carece de especialistas em tecnologias emergentes, como inteligência artificial e análise de dados. O domínio dessas ferramentas requer competências que vão além da formação convencional, envolvendo também pensamento estratégico e habilidades analíticas.
Outro fator que prejudica o setor é a informalidade. Segundo Rogério, “a presença de empresas irregulares que oferecem serviços sem a devida qualificação desvaloriza o trabalho dos profissionais capacitados e compromete a imagem do setor. O mercado exige preparo e conhecimento técnico — não há espaço para o improviso”.
Rogério Custódio finaliza: “Certificações específicas, como em segurança patrimonial e CFTV, têm ganhado mais relevância, assim como conhecimentos em informática e a habilidade de comunicação com outras áreas da empresa”.
Fonte: Cidade Conecta | Reprodução











