Mesmo em expansão, o setor de segurança privada em Mato Grosso do Sul enfrenta um desafio estrutural: a maioria dos profissionais está com o curso de formação vencido. Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (24), o número de vínculos ativos no estado chegou ao maior nível dos últimos cinco anos, somando quase 36 mil vigilantes. No entanto, 28.282 estão com a capacitação desatualizada, enquanto apenas 7.608 têm formação válida.
A situação se torna ainda mais preocupante diante da nova Lei da Segurança Privada, sancionada em setembro do ano passado, que trouxe exigências mais rigorosas e penalidades mais severas para empresas e contratantes de serviços irregulares. Além disso, o estado conta atualmente com apenas quatro escolas autorizadas para formação de vigilantes.
Salários e regulamentação
Apesar dos gargalos na qualificação, os salários da categoria apresentaram crescimento. A remuneração base nas áreas de vigilância patrimonial, escolta armada e segurança pessoal passou de R$ 1.567,83 em 2022 para R$ 1.818,37 em 2025 — alta de 16%. Já no transporte de valores, o piso chegou a R$ 2.539,82 neste ano, uma valorização de 36% em três anos.
Para o presidente da Fenavist (Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores), Jeferson Nazário, a nova legislação é um marco para o setor. “O estatuto representa um avanço significativo, principalmente por criminalizar a atuação de empresas clandestinas e reforçar a segurança jurídica das que atuam dentro da lei”, afirma.
Redução no número de empresas e armas
Apesar do crescimento de vínculos, o número de empresas em atividade no estado caiu. Em 2025, o total de firmas de transporte de valores foi reduzido pela metade — de oito para quatro — e o de escoltas armadas caiu de 13 para nove. A vigilância patrimonial, por outro lado, manteve certa estabilidade, com 45 empresas registradas.
Outro dado relevante é a diminuição na compra de armamento. As aquisições de armas de fogo na região Centro-Oeste recuaram de 919 em 2022 para 676 em 2023, com leve recuperação em 2024 (903). Já as compras de armamentos não letais despencaram de 480 em 2022 para apenas 61 em 2023.
Situação nacional
Em todo o Brasil, a Polícia Federal registra mais de 571 mil vigilantes ativos — um crescimento de 10% só nos primeiros cinco meses deste ano. A maioria dos profissionais tem entre 40 e 49 anos, e 84% concluíram o ensino médio. Ainda assim, estima-se que cerca de 200 mil vigilantes com cursos atualizados estejam fora do mercado formal.
A regulamentação da nova lei ainda aguarda um decreto presidencial. Enquanto isso, o setor pressiona o governo para a publicação das regras detalhadas, temendo que, sem esse passo, os avanços previstos na legislação não saiam do papel.
Para Nazário, o momento é decisivo. “Temos agora a chance real de transformar a segurança privada em um setor essencial para o bem-estar da sociedade. Mas isso só será possível com investimento em formação e o fim da informalidade”, conclui.
Fonte: Campo Grande News | Reprodução











