Segurança privada sustenta expansão com alta na demanda e salto tecnológico
O setor de segurança privada no Brasil vive um novo momento de crescimento e profissionalização. Com a sanção do novo Estatuto da Segurança Privada em setembro de 2024, empresas e profissionais do ramo passam a operar sob regras mais rígidas, em um movimento que promete combater a clandestinidade e impulsionar contratações legais.
Em estados como Goiás e Mato Grosso do Sul, cresce a demanda por vigilantes em condomínios fechados, empreendimentos industriais e instituições públicas. O cenário, que já vinha sendo moldado pela insegurança urbana e pela busca por serviços especializados, agora se fortalece com a regulamentação federal.
Clandestinidade movimenta bilhões e preocupa o setor
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, o Brasil abriga mais de 11 mil empresas clandestinas atuando ilegalmente, número quase quatro vezes maior do que o total de companhias regulamentadas (2.694). Estima-se que esse mercado informal movimente R$ 60 bilhões ao ano, com prejuízos bilionários em tributos e riscos à segurança pública.
Essas empresas, muitas vezes sem autorização da Polícia Federal, contratam vigilantes sem formação adequada e operam com armamento irregular. A nova lei, que já está em vigor, busca enfrentar esse cenário ao exigir registro prévio das empresas, capital social mínimo para determinadas atividades e proibir serviços prestados por cooperativas e autônomos.
A expectativa é que, com a fiscalização intensificada e o aumento das exigências legais, haja uma migração gradual dos profissionais para o mercado formal, com reflexos diretos na geração de empregos qualificados.
Tecnologia e qualificação moldam o futuro
Além da profissionalização, a modernização tecnológica tem sido um dos pilares da nova segurança privada. Empresas do setor apostam em soluções como inteligência artificial, reconhecimento facial, monitoramento remoto via IoT (Internet das Coisas) e até uso de drones para vigilância de grandes áreas.
Essas ferramentas permitem respostas mais rápidas a incidentes, monitoramento em tempo real e maior controle de acesso em locais sensíveis. Para atuar nesse novo cenário, os profissionais precisam investir em capacitações constantes — um desafio somado à realidade de que a maioria dos vigilantes no Brasil ainda possui apenas o ensino médio completo.
Dados recentes apontam que cerca de 87% dos vigilantes são homens, com idades entre 30 e 49 anos. Apenas 3% possuem ensino superior, o que abre espaço para políticas de incentivo à formação continuada.
Estatuto sinaliza nova fase para o setor
A aprovação da Lei 14.967/2024, que institui o Estatuto da Segurança Privada, marca uma virada histórica para o setor. Com ela, o governo espera ampliar a fiscalização, reduzir a atuação de empresas ilegais e estimular o investimento em qualificação profissional.
A nova legislação também fortalece a figura do vigilante formalizado, garantindo direitos trabalhistas e maior segurança jurídica para os contratantes. A expectativa das entidades do setor é que, até o fim de 2025, o número de profissionais legalizados ultrapasse 1 milhão em todo o país.
Fonte: O Hoje | Reprodução











