Em apenas cinco meses, entre dezembro de 2024 e maio, houve um aumento de 10% no total de vigilantes empregados no país, segundo dados da Polícia Federal
O mercado de segurança privada voltou a crescer após anos de retração e hoje já soma mais trabalhadores do que o total de policiais civis e militares no Brasil. Isso ocorre em um cenário de queda nos índices de criminalidade — como homicídios, roubos e furtos —, mas em meio ao aumento da sensação de insegurança apontada por pesquisas recentes. A presença de vigilantes se expandiu para comércios, empresas e residências, enquanto o setor se prepara para se adequar ao novo Estatuto da Segurança Privada, ainda pendente de regulamentação.
Segundo a Polícia Federal, divulgados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o número de vigilantes empregados cresceu 10% entre dezembro de 2024 e maio de 2025, chegando a 571 mil profissionais. O contingente já ultrapassa os cerca de 404,8 mil policiais militares e 95,9 mil civis na ativa. Especialistas atribuem a expansão a fatores econômicos, à realização de grandes eventos e ao aumento da procura por proteção particular, especialmente em regiões com histórico de crimes.
Pesquisas indicam que metade da população não se sente segura onde vive, percentual que sobe para 61% nas periferias. Para o cientista político Caio Cardoso de Moraes, da UEL, o fenômeno acompanha uma tendência mundial ligada ao crescimento de propriedades privadas de grande porte, como shoppings e condomínios. Já Ricardo Tadeu, da Lotus Centro de Formação, avalia que a tecnologia sozinha não substitui o trabalho humano, sendo necessário o equilíbrio entre ambos.
Em bairros nobres como o Morumbi, em São Paulo, moradores chegam a gastar até R$ 30 mil por mês em serviços de vigilância, com equipes em portarias e rondas de carro. Para Flávio Sandrini Baptista, presidente do Sesvesp e CEO da Verzani & Sandrini, a segurança privada complementa a pública ao conter ocorrências e acionar a polícia quando necessário.

Lei 14.967/24
O Estatuto da Segurança Privada, sancionado em setembro de 2024, atualiza a legislação de 1983 e amplia a responsabilidade da PF sobre empresas, cursos de formação e atividades do setor, incluindo vigilância patrimonial, escolta armada, monitoramento eletrônico e guardas de rua. O texto também prevê multas e penalidades contra práticas discriminatórias e contra companhias irregulares, além de responsabilizar quem contrata serviços clandestinos.
A antropóloga Susana Durão, da Unicamp, avalia que o estatuto demorou para ser aprovado, mas traz avanços importantes ao evitar que a segurança privada atue de forma autônoma, sem controle do Estado. O pesquisador Caio Moraes alerta, porém, que a expansão do setor pode aprofundar desigualdades, já que muitas vezes os serviços são contratados para proteger grupos com maior poder aquisitivo contra aqueles considerados “indesejados”.
Casos como o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, em 2020, por seguranças de uma empresa clandestina em Porto Alegre, mostram a urgência de fiscalização e formação adequada. Com a regulamentação em fase final no Ministério da Justiça, a expectativa é de que a atuação da PF se torne mais rigorosa, garantindo mais transparência e controle sobre o setor.
Fonte: O Globo | Reprodução












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Vcs estão de parabéns ,Deus abençoe sempre vocês.